segunda-feira, 30 de março de 2009

Olhares sobre os Problemas de Ecologia Urbana no Rio de Janeiro


Por Prof Ms Jorge Ricardo Menezes da Silva
Sou morador de Paciência, um dos bairros do subúrbio da Zona Oeste desta cidade que se intitula maravilhosa. Tentei reunir aspectos que tornam uma cidade maravilhosa e tudo que consegui enxergar aqui foi passividade, descaso e problemas de gestão pública.
Passividade sim, a população se coloca sempre na condição de oprimida, mas se existem oprimidos é porque existem opressores e se existem opressores é porque alguém por uso da força se deixa oprimir. Esta força pode advir de poderes públicos e mais recentemente, também, do dito poder paralelo, que tem seus códigos e até tribunais.
Vivemos em um estado total de alienação gerado por tempos de educação alienante pautada na memorização e no registro dos saberes acumulados. Observamos passivamente, no dia 21 de janeiro, 3 horas de engarrafamento no Centro do Rio da Avenida Presidente Vargas, da frente do monumento dedicado a Duque de Caxias, na central do Brasil, a estação da Leopoldina, na avenida Francisco Bicalho, um trajeto de 5 minutos. O centro da cidade todo parado e queremos ser sede de Jogos Olímpicos...
O problema: águas pluviais, chuva, choveu forte. Entretanto, não foram chuvas torrenciais. Diante disso o que fez a população após um dia de trabalho? Buscou alternativas para retornar ao refúgio do lar. Uma reclamação aqui, outra acolá e caiu no esquecimento porque existem outros problemas.
Na segunda feira, dia 26 de janeiro foi o dia de Campo Grande e Adjacências vivenciarem o seu dilúvio em particular. Pistas totalmente alagadas, carros enguiçados, translados impedidos e horas a fio a fim do ir e vir em trajetos que demoram 15 ou 20 minutos, no máximo.
Por que o descaso? Porque incontáveis pessoas continuam sem fazer o trabalho de casa, a questão básica é educação, com a cheia do rio Cabuçu junto a rua Arthur Rios em Campo Grande, observamos expressiva camada de lixo acumulado junto as pontes e as tubulações. Quem causa o problema? A população, praticamente a mesma vitimada pelas cheias e que perdem seus pertencem quando as águas dos leitos dos rios tomam suas várzeas naturais que foram invadidas pelo homem.
Por fim, por que é um problema de gestão pública? Porque cabe ao estado e ao poder público instituído dentro das premissas da democracia gerir esta cidade, este estado e este país com dignidade. Se há problemas de ecologia social e urbana, ações de educação comunitária devem ser objeto de socialização nas escolas para os alunos e principalmente para suas famílias. Este é um aspecto.
Outro aspecto é o da manutenção da rede destinada as águas pluviais. O impacto das chuvas na Leopoldina e adjacências no dia 21 de janeiro, na Avenida Cesário de Melo e na Rua Gramado próximo ao cemitério de Campo Grande, no dia 26 de janeiro teve efeitos com elevação exponencial devido a falta de manutenção em bueiros.
A qualidade, parâmetro que deve alicerçar a produção de bens e serviços, na sociedade do conhecimento prescreve que a manutenção é estratégica para redução de custos e dos impactos causados por quebras ou defeitos. Indica-se na atualidade que as formas preventiva e preditiva de manutenção elevam a produtividade e a satisfação do cliente.
Choque de gestão? Se faz necessário. Mas, em todos os aspectos da gestão pública

OLHARES SOBRE A APRENDIZAGEM DOS EDUCADORES

Por Prof Ms Jorge Ricardo Menezes da Silva

“Não é a melhor estratégia os professores ficarem falando o tempo todo; pelo contrário, eles devem fazer a classe a contar o que sabe... É sábio educador aquele que procura desafiar a habilidade e os poderes do aluno, em vez de esforçar-se o tempo todo para dar a lição.”

Ellen White

Ensinar é transferir conhecimentos? Paulo Freire certamente e acertadamente já nos revelou uma resposta a esta questão em sua pedagogia da autonomia. Pois, se ensinar fosse transferir conhecimentos não precisaríamos de professores e da educação presencial. Os livros, as revistas, a internet, a TV são fortes instrumentos de socialização de conhecimentos. Contudo, não são ferramentas capazes de educar plenamente, simplesmente porque não são dialéticos e se não permitem o diálogo mais profundo não conferem de fato competência. Se resumem, apenas como fortes estímulos a memorização.
Autonomia. Autonomia? Autonomia, eis a questão. Realmente objeto Shakespeariano. É de suma importância para o educador entender e aplicar os conceitos na educação, neste sentido, o significado de autonomia é encontrado junto aos gregos onde autos significa por si só e nomós significa norma. Portanto, nossa leitura do termo composto autonomia reside em afirmar que este se traduz como sendo a capacidade da pessoa em tomar suas decisões balizada na ética e no principio da sociabilidade.
A grande questão é exercemos nossa autonomia? A nossa docência emprega no ensinar e no aprender a autonomia?
Se sua resposta for positiva, parabéns! Se sua resposta for negativa você não está contribuindo para a construção de uma sociedade democrática. Parece ser acusatória minha impressão neste momento, mas não o é. De fato minha argumentação é responsabilizatória. Como assim? Parto da premissa que é de responsabilidade docente a educação em toda sua multiplicidade: cognição, psicomotricidade e afetividade, que se resume no saber aprender, no saber fazer/agir, no saber ser e no saber conviver.
Se acaso não está agregado a cultura docente o trabalho autônomo, como poderá este educador disseminar autonomia? Se o educador não é empreendedor e proativo como despertar no educando estes valores?
Por estas e outras razões é tão importante a aprendizagem do educador. Educadores que dominam as múltiplas linguagens, que compreendem os fenômenos pedagógicos e psicológicos envolvidos na aprendizagem, que enfrentam as situações problema tais como salas superlotadas bem como a falta de valorização monetária e moral, que mesmo diante das adversidades tem uma argumentação pautada na utopia docente de que sua atuação contribui para melhoria qualitativa da pessoa possibilitando a hominização do homem, que ainda sim apresenta e realiza propostas de intervenção na realidade porque tem fé na vida, fé no homem e fé no que virá, são exemplos impares de pessoas que sabem o porque estamos e de estarmos aqui e fazem a diferença.
Vamos lá, a hora é essa! Porque o tempo urge e a Sapucaí é grande...

OLHARES SOBRE O EXERCÍCIO DOCENTE NA CONTEMPORANEIDADE


Por Prof Ms Jorge Ricardo Menezes da Silva
(...) o professor precisa perceber-se como um ser inacabado, durante toda sua vida profissional estará construindo sua formação. Formação que acontece no dia-a-dia com a participação de todos os componentes da escola, com o aprofundamento dos saberes científicos percebendo-se como um ser social que poderá intervir no ambiente buscando sempre ação-reflexão-ação. Sendo assim, a formação é um processo que tem início, mas nunca terá um fim, pois é inconcluso. Essa inconclusão, esse inacabamento do ser, possibilitará a formação e reformação constante(...)
Rego et all

Ser professor é uma missão de vida ou um ofício profissional escolhido? Para os utópicos é uma atividade revestida da aura da socialização de saberes construídos pela humanidade com a finalidade da construção/reconstrução da sociedade. Para aqueles que acreditam que é um ofício, se trata simplesmente do profissional capaz de transferir conhecimento para seus não iluminados, alunos-sem luz.
A educação é um aparelho social que tem como função efetuar a manutenção dos padrões e convenções sociais. Na minha humilde leitura, manutenção não se reduz simplesmente à conservação. Manutenção se reveste de ações corretivas, preventivas e preditivas com vista ao perfeito equilíbrio funcional de um sistema seja ele natural ou social.Infelizmente, a sociedade num caráter mais amplo, e a educação em nosso fórum de debates e reflexões, não se prepararam para as mudanças estruturais e conjunturais moldadas pela tecnocracia impregnada pelo capitalismo dominante moldado pela economia mundial.
Fala-se em globalização, mas a planetaridade tem sido colocada em segundo plano. A economia planetária está em ruínas, fruto do espírito corrompido de uma humanidade sem ética, sem valores, sem escolas, sem família.
Vivemos na terra de Siricy, onde cada um cuida de si e se for dente por dente, olho por olho, acabaremos banguelas e cegos.Por tudo isso, não como palmatória do mundo e muito menos como tábula de salvação, a escola surge como ambiente para reconstrução salutar da humanidade rumo a hominização.
O saber pelo saber por si só tem enterrado a humanidade, pois a cognição pela cognição tem produzido frutos podres que não servem para dieta humana, não alimentam o corpo e muito menos a alma. Estamos a beira do abismo e atônitos buscando encontrar algo ou alguém que nos sirva de ancoradouro para amarrarmos nossa embarcação.
É preciso de educadores líderes e o líder se revela pela sua autoridade, onde liderar é conseguir que as coisas sejam feitas através das pessoas. Ao trabalhar com pessoas e conseguir que as coisas se façam através delas, sempre haverá duas dinâmicas em jogo – a tarefa e o relacionamento(...) a chave para liderança é executar tarefas enquanto se constroem relacionamentos. Essa é a narrativa de James Hunter nos apontando rumos para sermos pessoas/educadores melhores.
A receita de Jesus Cristo é mais enfática:
Quem quiser ser líder deve ser primeiro servidor. Se você quiser liderar deve servir.

Em tempos da quaresma cristã, uma reflexão é importante: Você dedicaria sua vida para salvar a humanidade?

OLHARES SOBRE O PAPEL DA ESCOLA EM TEMPOS DE BARBÁRIE

Por Prof Ms Jorge Ricardo Menezes da Silva

A exigência que Auschwitz não se repita é a primeira de todas para a educação. De tal modo ela precede quaisquer outras que creio não ser possível nem necessário justificá-la. Não consigo entender como até hoje mereceu tão pouca atenção. Justificá-la teria algo de monstruoso em vista de toda monstruosidade ocorrida. Mas a pouca consciência existente em relação a essa exigência e as questões que ela levanta provam que a monstruosidade não calou fundo nas pessoas, sintoma da persistência da possibilidade de que se repita no que depender do estado de consciência e de inconsciência das pessoas. Qualquer debate acerca de metas educacionais carece de significado e importância frente a essa meta: que Auschwitz não se repita. Ela foi a barbárie contra a qual se dirige toda a educação. Fala-se da ameaça de uma regressão à barbárie. Mas não se trata de uma ameaça, pois Auschwitz foi a regressão; a barbárie continuará existindo enquanto persistirem no que têm de fundamental as condições que geram esta regressão. E isto que apavora. Apesar da não-visibilidade atual dos infortúnios, a pressão social continua se impondo. Ela impele as pessoas em direção ao que é indescritível e que, nos termos da história mundial, culminaria em Auschwitz. Dentre os conhecimentos proporcionados por Freud, efetivamente relacionados inclusive à cultura e à sociologia, um dos mais perspicazes parece-me ser aquele de que a civilização, por seu turno, origina e fortalece progressivamente o que é anticivilizatório. Justamente no que diz respeito a Auschwitz, os seus ensaios. O mal-estar na cultura e Psicologia de massas e análise do eu mereceriam a mais ampla divulgação. Se a barbárie encontra-se no próprio principio civilizatório, então pretender se opor a isso tem algo de desesperador.

Adorno

Prezados amigos educadores, incontáveis condições sociais objetivas, dentre elas podemos destacar a ausência de políticas públicas de educação, saúde e habitação que representassem uma solução que tratasse com a devida seriedade os tumores sociais causados pela inexistência de planos de urbanização, empurraram a humanidade para a barbárie. Se faz notória em todos os recantos de nossa cidade, como uma amostra do que acontece em nosso país e em outros cantos do mundo, a emergente falta de valor a dignidade humana que tem sido a grande tônica dos noticiários na TV, nos jornais impressos, no rádio e na internet.
Infelizmente vivemos em um mundo de contradições onde condições geopolíticas comparáveis à Suécia se confrontam com outras comparáveis as ocorrências emblemáticas das experiencias sudanesas de uma guerra infindável, de valores invertidos, de interesses pessoais. Não estou falando de outro lugar do mundo, estou falando do Rio de Janeiro, da cidade que poeticamente foi apelidada de Cidade Maravilhosa.

Há dezenove carnavais atrás, o bom e velho Império Serrano cantou em prosa e verso queria novamente ver o Rio dono do samba e do grande futebol, ter um forte banco na praça e que não fosse comitê eleitoral. Os símbolos culturais que se perderam de uma cidade em que a expansão populacional se deu na forma de progressão geométrica, com problemas crônicos, os já citados anteriormente, e de transporte, atualmente dominado por transporte alternativo, onde o que poderia ser uma alternativa virou regra, atendendo interesses à moda de Harry Potter, daquele que não pode ser nomeado.

Com problemas de violência, que ficava dentro das comunidades, se avolumou e hoje as comunidades, tal quais as cidades-estado da antiguidade tem seus tribunais e conjunto de leis, que enquanto estavam no âmbito interno e não afetavam aos que vivem sob a tutela parcial ou total do estado, se fizeram de cegos. Hoje a barbárie, fecha o comércio, pára os transportes, suspendem as aulas, atacam delegacias e até invadem quartéis. O movimento social é comparável as rupturas ocorridas no advento da idade média, onde os excluídos no império romano fissuraram a estruturas da ordem política vigente, que tal como nossa sociedade massacravam minorias e os mantinham na condição marginal. Resultado disso tudo, a história nos conta. Entretanto, não aprendemos a lição.
Nós os educadores, temos que avançar para além da perplexidade, precisamos agir como corpo docente, de forma racional e sistêmica, contribuindo naquilo que nos compete, que é a educação no sentido de criar laços de afetividade. Modelos de violência moral tais como o da chantagem (se vocês não se comportarem vou fazer uma prova de arrebentar), o do desespero/desequilíbrio (vou mostrar quem manda aqui!Fora de sala. Ou Você ou eu) e o da crueldade (você é burro assim mesmo ou fez cursinho) não são mais cabíveis.

Devemos investir nas relações interpessoais, valorizando potencialidades cognitivas e afetivas, hábitos e atitudes que façam emergir a pessoa humana que habita o âmago de cada educando.
Devemos investir na compreensão do outro, na percepção das interdependências, na cooperação mútua, no exercício do falar e no ouvir, no respeito a si próprio e ao outro, na compreensão da pluralidade de idéias e concepções.

Um bom modelo a ser seguido é o da professora Erin Gruwell, narrado no filme Escritores da Liberdade, que diante de um cenário de exclusão e discriminação a adolescentes vítimas das turbulências sociais, como gangues, drogas e fragmentação da família, consegue sobrepujar incontáveis adversidades e transformar seus alunos em gente, hominizar os humanos.

Para finalizar, Gonzaguinha deixa a receita:

Ontem o menino que brincava me falou
Que hoje é semente do amanhã
Para não ter medo que esse tempo vai passar
Não se desespere não, nem pare de sonhar
Nunca se entregue, nasça sempre com as manhãs
Deixe a luz do sol brilhar no céu do seu olhar
Fé na vida, fé no homem, fé no que virá
Nós podemos tudo
Nós podemos mais
Vamos lá fazer o que será

Despeço-me no espírito de Fernando Pessoa, que nos indica que navegar é preciso, com o propósito de engrandecer a pátria e contribuir para evolução da humanidade.

sábado, 22 de novembro de 2008

OLHARES SOBRE A MEDIOCRIDADE NA EDUCAÇÃO

Por Prof Ms Jorge Ricardo Menezes da Silva

Demorei muito para me posicionar sobre esta temática. Demorei porque sei que vou cutucar nas feridas, porque vou revolver o pó assentado nos porões do comportamento humano. Para estimular meu raciocínio fui buscar elementos que me permitissem dialogar com os baluartes da filosofia, então, sem mais delongas vamos nós.

A mediocridade é argumentada de forma prosaica por Delacroix:

Não se tem idéia como abunda a mediocridade. (...) São pessoas como essas que travam sempre, em todos os lados, a máquina acionada pelos homens de talento. Os homens superiores são por natureza inovadores. Quando surgem deparam com o disparate e a mediocridade por todos os lados (ela que tudo domina e que se manifesta em tudo o que se faz). O seu impulso natural é assentar tudo de novo em terreno sólido e experimentar caminhos novos, para fugir a essa vulgaridade e parvoíce. Se por acaso eles triunfam e acabam por levar a melhor sobre a rotina, têm de ser ver as contas, por seu turno, com os incapazes - que fazem ponto de honra da cópia grosseira dos seus processos e estragam tudo o que lhes vem às mãos.
Depois deste primeiro movimento, que leva os inovadores a saírem das sendas já traçadas, segue-se quase sempre outro que os faz, no fim da sua carreira, conter o indiscreto entusiasmo que vai sempre demasiado longe e que, pelo exagero, arruína o que inventaram. Ao se darem conta do triste uso que é feito das inovações que eles lançaram no mundo, começam a elogiar aquilo que, afinal, graças a eles, foi ultrapassado. Talvez haja neles como que um secreto impulso de egoísmo, que os leva a tiranizar a tal ponto os seus contemporâneos e a considerar que só eles podem determinar o que deve ou não ser criticado. É a sua quota-parte de mediocridade; esta fraqueza fá-los por vezes desempenhar um papel ridículo e indigno da consideração a que conquistaram direito.


Ao efetuar esta leitura não pude deixar de lembrar de dois ícones da história da humanidade: Sócrates de Atenas e Jesus de Nazaré.

Sócrates de Atenas é considerado como o divisor de águas na história do pensamento ocidental, o que significa dizer que a filosofia se assenta em antes e depois de Sócrates. Entretanto, mesmo sendo um ser humano de inegável sabedoria cujos ensinamentos atravessam vinte e cinco séculos, mesmo sem ter escrito uma única palavra, foi acusado, julgado e morto por tribunais de seus contemporâneos. O objeto de acusação: corrupção da juventude.

Tudo porque Sócrates de Atenas promovia a avaliação reflexiva da existência humana e das ações mediado pela ironia, o que hoje chamamos de análise das causas e dos efeitos, objeto empregado como ferramenta na contemporaneidade como ferramenta da gestão da produção e manutenção industrial.

Jesus de Nazaré, conforme narrativas nos evangelhos têm uma trajetória meteórica, emerge no âmago de um processo conturbado sob o prisma sócio-político do povo judeu cujos líderes políticos e religiosos em nome de benesses junto ao jugo do Império Romano, colocavam o povo e suas necessidades biofísicas, sociais, psíquicas e espirituais em subplanos, atitudes em total desacordo com os textos do antigo testamento, escritos que registravam os parâmetros comportamentais a serem seguidos sob a égide teológica da fé judaica.

O próprio Jesus afirmou que não veio questionar a lei, veio cumpri-la, mas parece que cumprir a lei é algo que deixa as pessoas sob ameaça e uma vez ameaçadas atacam, violentam na moral e no físico, até mesmo matam. Neste contexto, Jesus também foi alvo de intrigas, sofreu perseguições, foi traído e abandonado, julgado, trocado por Barrabás e assassinado. Mesmo depois de morto ainda foi perseguido.

Como Sócrates, Jesus não escreveu uma linha. Entretanto, seus ensinamentos e profissão de fé por muitas vezes coloca nossas posturas pautadas em egoísmo e individualismo em cheque. Contudo, suas ações e menções romperam o limiar da teologia e seus modelos pedagógicos têm sido referência na gestão de pessoas neste início de século XXI.

Fica evidente que é um comportamento de natureza humana perseguir aqueles que nos remetem ao pensar o nosso agir. Em nome de uma moralidade hipócrita caçamos e executamos aqueles que provocam nossa reflexão, crucificamos e envenenamos mentes iluminadas para nos mantermos confortáveis dentro dos limites de nossa mediocridade.
O que me assusta é que as pessoas, mesmo aquelas formadas na academia, esquecem os rumos da história da filosofia e da teologia cristã, saberes que devemos dominar a fim de compreendermos o presente e esboçarmos um futuro mais humano.

Trago a baila argumentações que revelam nossa mediocridade, pequenez e visão limitada. A história de Maria Madalena, onde esta representa os excluídos, os rotulados, os julgados dentro da lógica classificatória, mecanicista, fragmentadora e disjuntiva, que fora acusada e condenada.
A sapiência Jesus fora questionada a respeito dos comportamentos de Maria Madalena e Jesus, com a sabedoria e simplicidade peculiar aos mestres, apenas exprime “aquele que não tem pecado, atire a primeira pedra”. Seria o mesmo que dizer “aquele que não erra que exclua”.

Em educação, o erro evidencia apenas o que fora aprendido de forma parcial ou não foi aprendido, deve servir para que o educador, o coordenador pedagógico e o corpo docente atuem em perspectivas de efetivar ensino de modo a promover aprendizagens que se revelam no conhecer, no fazer, no agir, no viver e conviver.

Contudo, dentro da lógica racionalista, o fato de ignorar um saber, seja de forma total ou parcial, em aspectos evidentemente cognitivos, tem servido de instrumento de discriminação e segregação e não como um instrumento de reflexão da própria práxis pedagógica, como se observa nas pedagogias liberais.

Em outra óptica, em um verdadeiro pedagocídio(neologismo aplicado por Hamilton Werneck), a promoção da aprovação automática, tem sido instrumento de reprodução da lógica burguesa das castas sociais. Quem é pobre, permanecerá pobre simplesmente porque dentro de uma postura irresponsável está se acentuando os índices de analfabetismo funcional, pessoas portando certificados de ensino fundamental sem dominar as competências e habilidades mínimas da norma culta da língua materna e das operações aritméticas básica. Cuidado com esta pseudodemocracia travestida de inclusão social, nos alerta o padre português Vasco Pinto de Magalhães:

O grande engano da mediocridade! Este é um alerta para os nossos dias. O fácil, o imediato, o que dá para todos, o que passa por democrático, o que está 'benzinho' e mediano, parece, tantas vezes, a solução. Não fazer ondas, ceder, ir pelo mais ou menos, vale tudo desde que não chegue cá o incômodo: este é o retrato dos desiludidos! Nivelar por baixo não é caminho, é engano.

A responsabilidade pela eficácia dos processos educativos é atribuição docente. Para que o docente seja capaz de agregar valores, conhecimentos, procedimentos, hábitos e atitudes se faz necessário que ele transmita automotivação de modo que os educandos se sintam “contaminados” pela importância de dominar os saberes disseminados em sala de aula.

Cabe ao educador tirar o educando da zona de conforto, mostrando ao mesmo o quão importante é dominar os conteúdos administrados para sua vida cotidiana, seja no campo pessoal, social ou laboral. Tirar da zona de conforto é importante parâmetro para mobilização das inteligências.
Infelizmente, mobilizar as inteligências tem sido parâmetro relegado ao segundo plano, pois o estilo bancário de educar e avaliar não permite a verificação complexa das competências e habilidades construídas pelo domínio dos saberes. Esta valorização enciclopédica formatada pela ditadura do conteúdo inibe a liberdade possibilitada pela construção dos conhecimentos.

Esta forma medíocre de educar e disseminar a cultura humana são agente nocivo no palco da laboralidade, uma vez que a atuação humana exige ações proativas, rapidez de raciocínio, apresentação de hipóteses de solução com viabilidade técnica, social, econômica e ambiental em situações de enfrentamento de problemas.

Para ser capaz de dispor deste cabedal de habilidades o educando deve dominar linguagens e compreender fenômenos o que significa que ele deva saber (dispor de elenco de saberes memorizados). Contudo, para argumentar e elaborar propostas, ele deve mobilizar estes saberes de modo a intervir na sua própria vida e na vida de outrem, o que significa que seu agir deve ser parametrizado pela ética, em total respeito à vida humana em todas suas vertentes: biológica, física, social, psicológica e espiritual.

Ufa!!!!!!!!!!!!!!!
Precisamos ou não romper com a lógica vigente?

quarta-feira, 23 de julho de 2008

FECULT NA FOLHA DIRIGIDA

FECULT na Folha Dirigida

Samba é tema da Feira na Eterj


Um espetáculo com luzes, pirotecnia e muito samba, invadiu a 16ª Feira de Cultura da Escola Técnica do Rio de Janeiro/Novo Rio (Eterj) no mês de julho. O tema da Feira neste ano foi "Este samba dá enredo" e levou, aos participantes, uma releitura de 34 enredos narrados na Sapucaí, nos últimos 25 anos.

As letras do sambas-enredo foram os objetos de estudo dos jovens, que puderam observar uma história ou uma fábula que serve de enredo para o desenvolvimento da apresentação da escola de samba. De acordo com coordenador pedagógico da instituição, Jorge Ricardo Menezes, atuar na perspectiva de desvendar as nuances de enredos desenvolvidos por escolas de samba permitiu abordar incontáveis aspectos e traços da cultura brasileira e mundial. "Pudemos congregar as diferentes comemorações em voga no ano de 2008, tais como centenário de Cartola, centenário da imigração japonesa, duzentos anos da chegada da Família Real Portuguesa, centenário de Machado de Assis e cinqüentenário da Bossa Nova", comenta.

Segundo o educador, o objetivo da equipe pedagógica foi fomentar a visão do papel individual e coletivo dentro das premissas laborais do século XXI. "Trabalho em equipe, solução de problemas, empreendedorismo, liderança, proatividade, criatividade e inventividade são alguns desses valores.

O evento contou com a presença de figuras ilustres do mundo do samba como o Maestro Guerra Peixe, vice-presidente cultural da Mangueira e Compositor campeoníssimo pela Mocidade Independente de Padre Miguel Neuso Sebastião de Amorim Tavares, o Tiãozinho Mocidade.

domingo, 20 de abril de 2008

OLHARES SOBRE UMA EDUCAÇÃO HOMINIZADORA EM UMA ESCOLA HUMANIZADA

Por Prof Ms Jorge Ricardo Menezes da Silva

O cotidiano escolar é revestido de procedimentos e ações que findam consolidando no professor uma postura mecanicista, transformando-o em um verdadeiro tarefeiro escolar, postura profissional altamente distanciada dos referenciais necessários àquele que deve estimular o pensamento crítico e a cidadania participativa.

Cabe a ele apenas o ensinar, com caráter disjuntivo e reducionista, a memorização de fatos, conceitos e procedimentos, e aos alunos aprender dentro destas premissas. Nesta óptica se eles não aprendem, não é responsabilidade do professor pelo simples fato de que ele ensinou. Não é uma acusação. Não estamos diante de um tribunal e muito menos sou um promotor de justiça. É uma infeliz constatação. E esta está contribuindo na conformação de hiatos sociais que formam verdadeiros abismos entre humanos.

Esta visão pontual e fragmentada é fruto de uma formação cartesiana alicerçada por séculos de distorções interpretativas do papel da educação no desenvolvimento humano em todas as suas variáveis: cognição, psicomotricidade e afetividade.

Para romper com a postura academicista e bancária que a educação e o professor estão parametrizados, a escola deve investir na sensibilização dos profissionais da educação de modo a comprometê-los com a redução dos processos de exclusão escolar e consequentemente social que afetam a comunidade local e, por conseguinte a aldeia global.

A hominização é o processo de transformação biológica, física, psíquica, social e espiritual do símio em ser humano. Infelizmente, muitos de nós embora tenhamos estética humana, sob a mitologia judaico-cristã sejamos a imagem e a semelhança de Deus, estamos muito aquém das parametrizações comportamentais que nos aproxime do divino, conforme narrativas do evangelho.

Ser hominizado é compreender e agir de forma humana. É integrar a tríade da essência humana: mente, corpo e emoções. É entender o próprio eu, conforme postula o oráculo de Delfos: “conhece-te a ti mesmo que as portas do conhecimento se abrirão para ti” e daí entender o outro, em suas potencialidades e em suas dificuldades. É contribuir de forma magistral no desenvolvimento humano de outrem.

Na escola todos os professores são humanos. Entretanto, não podemos afirmar que todos são humanizados. A humanização requer o atendimento de quatro prerrogativas básicas: resolutividade, maturidade emocional, autonomia moral e intelectual, e visão holística.

A resolutividade se reveste da capacidade do educador estar preocupado e agir em relação a sua formação. No entendimento que sua competência laboral deve ser objeto constante de avaliação em todos os segmentos: cognitivo, procedimental e atitudinal.

A maturidade emocional reside em saber conviver, em lidar com as diferenças e com a diversidade, em administrar os conflitos de forma imparcial utilizando referenciais de justiça e equidade, lembrando sempre que o adulto e o profissional de educação é você.

A autonomia moral e intelectual se cobre do plano ético, do saber agir e conduzir situações empregando os padrões morais, que fundamentam o senso comum da vida em sociedade e ao mesmo tempo tendo bom senso em aplicar o direito procurando caminhos para o exercício docente com honestidade e dignidade humana.

A visão holística é o pleno entendimento das variáveis que compõem o ato de ensinar no sentido antropológico, respeitando os caracteres biológicos, psicológicos, sócio-culturais e espirituais do educando.

Educar nestas premissas é um sonho possível? Você é um hominizador humanizado? Você é uma hominizadora humanizada?

Na busca incessante de uma resposta que satisfaça meus anseios e necessidades, martelam em minha alma educadora as provocações do ilustre brasileiro Huberto Rohden:

“O educador não é um simples professor que transmite idéias a seus alunos – é um verdadeiro mestre que vive tão intensamente a verdade que seus discípulos se sintam irresistivelmente contagiados por estas poderosas auras”.

“Antes de educar os outros, deve o homem educar a si mesmo”.

“O homem instruído na ciência pode ser bom ou mau, mas o homem que educou sua consciência é bom e feliz”.

“Pois deve o educador saber que todo ser humano é um universo, isto é, uma unidade (uni) que se desdobra em diversidade (verso)”.


Entende-se, portanto, que o educador esteja comprometido e conscientizado da ação social que lhe é depositada. Educador não é profissional de linha de produção, até porque mesmos estes na pós-modernidade estão comprometidos por questões de programas de qualidade na redução das perdas nos processos de produção de bens e com a visão sistêmica da própria produção. Crê-se que em educação, por ser um serviço, não deveria ser diferente.

O educador deve compreender, ainda, seu compromisso político e ideológico com a educação, com a formação e o desenvolvimento de seres humanos, que não quer dizer ser ou estar adepto a um partido político, e sim a importância coletiva de sua labuta, da teia que conforma a ação pedagógica, time de professores atuando para vencer os desafios impostos sejam eles desvalorização financeira ou moral, classes numerosas, falta de infra-estrutura, violência urbana etc.

Finalmente, fica a mensagem em forma de poesia de Bertold Brecht:

“O pior analfabeto é o analfabeto político. Ele não ouve, não fala, nem participa dos acontecimentos políticos. Ele não sabe que o custo de vida, o preço do feijão, do peixe, da farinha, do aluguel, do sapato e do remédio dependem das decisões políticas. O analfabeto político é tão burro que se orgulha e estufa o peito dizendo que odeia a política. Não sabe o imbecil que da sua ignorância política nasce a prostituta, o menor abandonado, e o pior de todos os bandidos que é o político vigarista, pilantra, o corrupto e lacaio dos exploradores do povo”.

É preciso, necessário e salutar se engajar nesta luta.